voz dos alimentos

"BisAna

Se a senhora pudesse ver até onde cresce um pé de couve, se assustaria. Nem as tias, com todo aquele conhecimento são capazes de um fenômeno deste tipo. Aqui, as couves ficam inchadas, grandes, de um verde escuro profundo, e mais altas que um cachorro pequinês. Em pé."

{Papel Manteiga para embrulhar Segredos; Cartas Culinárias} 

 

 

Nos quintais por onde se anda é possível ver tanta vida que o meu coração desespera com as cores, a fertilidade, o crescimento, todo  dia, com calma e sem pressa . Não há, como dizem: "terra ruim, que não dá nada", ao contrário, ela oferece o que tem para se oferecer, Cajuzinho é um exemplo disso, no meio do cerrado, lá está ele em diversas cores, amarelo, vermelho, rosa em variações de tons. O mesmo acontece com as mangabas, tão deliciosas, que passáros ciruclam os pés. 

Goiás Velho/GO, saída para Jussara/GO, setembro 2013
Goiás Velho/GO, saída para Jussara/GO, setembro 2013

 

Com os pés e as mãos prontos para um dia de trabalho, a cabeça arejada lá estou no meu quintal, guardo nele e com ele segredos da rainha do quintal, a jabuticabeira. Com um pequeno espaço, faço meu próprio cultivo, observo por horas do dia o crescimento e os caminhos sendo tomados por plantas. Compartilho com quem nos visita, a mim e ao quintal com seus habitantes, passarinhos de longe, rabo grande, pequeno, cantor em alto tom e tenores, são os priveligiados das primeiras degustação dos  tomateirose  jabuticabeiras. 

 

E não é assim? A vida se mistura, tudo cresce, nasce e morre, quase morre, revive, transforma... Os alimentos tem um som, que de longe se pode escutar, eles falam para que servem, para mim amante das cores, sempre uma mistura de todas, acho bobagem não fazer o uso de todas, se tenho a oportunidade de misturá-las. 

 

As receitas preferidas que tenho comigo são os ingredientes que colho no quintal, no sítio de alguém, nas ruas... Estes igredientes logo viram banquetes, eles se tornam fartos, com cores e misturas. Não faço juízo valorativos dizendo o que é maior ou menor para se saborear, só digo: Vou saborear e passar para frente a receita inventada da vez. 

 

Manjericão, hortelã, alecrim, limão sempre estão presentes, são fartos, assim como as couves que crescem "maior que cachorro piquinês, de pé". Tudo é um ciclo, tudo se comunica, e tudo está no campo das possiblidades para que sejam consumidas. Alimentos são vivos, são da terra, precisam de sol, no caso das hortaliças muito sol, e alguns dias esquecidos de se colocar a água, estão lá vivos 

 para que sejam consumidos, admirados, compartilhados e saboreados. 

sabores-beringelas em reflexo na chaleira...

 

 

 

 

 

Em preto e verde, o sal grosso sobre o quiabo,

preparo para ser desidratado,

batatas doces aguardam a sua chegada,

serão cozidas e preparadas para um purê com iogurte natural. 

 

 

 

 

 

Arroz Sete Cereais, tomates do quintal,

folhas de beterrabas, carne cozida. 

 

 

 

 

 

  

 

assados alegrados em alecrim...

 

 

 

 

Em laranja se pinta a banana da terra, abobrinhas grelhadas,

quiabos desidratados com sal grosso,

maças frescas servidos com qualhada seca temperada com ervas finas.

 

 

 

 

 

Indo para o fogo em brasa...  

berinjelas sendo preparadas com manteiga e ervas finas, abobrinhas ao creme de iogurte natural, oregano fresco para aproximar o milho da carne com seu tempero em sal grosso e ervas finas.