Banquetes: "aqui pode lamber os dedos!"

Paulo Nazareth - Por um Banquete das memórias: Aqui se come com a mão!

31/Agosto/2014, na Galeria Mendes Wood em SP-Vila Romana, abertura da exposição do artista Paulo Nazareth 'Che Cherara'

 A construção do banquete traz uma composição de alimentos que refletem a memória gustativa do artista Paulo Nazareth, aliás, a memória brasileira, e principalmente de alguém que se abre à experimentação das comilanças do mundo. A banana, a mandioca, o milho, são referências encontradas na memória do Paulo, que revisitadas e reinventadas revelam caminhos indígenas. Os sabores rememorados poderão ser experimentados na chicha de milho que é uma bebida indígena; na farinha da casca rosa da mandioca, que é transformada em paçoca junto ao amendoim; frutas que aparecem, ora já servidas em farturas por índios ora por nossa descendência afro e que no banquete são transformadas em molhos, sobremesas e compartilhada com outros elementos criados a partir de cascas que viram perfume para outros alimentos. A laranja, presente no banquete representa a limpeza, e também, o cheiro, a cor, seja em pó ou em molho. Os doces, as misturas do gengibre, canela, cravo e pimentas, refletem para além do sabor, também a forma de construção dos alimentos como remédios imersos na culinária africana e indígena.

Banquete Outros Saberes Outros Sabores: Experimentação com a Memória Gustativa, lugares e saberes não convencionais

{11/Fevereiro/2014, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG}

Banquete Espaço Comum Luiz Estrela

{Novembro 2013, atividade cultural em apoio ao Espaço Luiz Estrela, Belo Horizonte/MG}

Banquete: "Comidaria Comum" (seis banquetes itinerantes - comida de rua, piquenine, chica da silva, comida de terreiro, mulheres reais, comida indígena)

{Julho 2013, Festival de Inverno da UFMG, Diamantina/MG} 

 

Banquete: "Santo Antônio Além do Carmo"

{Maio 2013, Salvador/BA)

 

Banquete: " Memória do Carnaval de Rua"

(Abril 2013, Espanca, BH/MG)

 

Banquete: "Temperanças"

{Agosto 2012, Belo Horizonte/MG}

 

Banquete: "Amores Flutuantes Mergulhados em seus Cavalinhos de Pau"

{2012, convite da Universidade de Londres, Londres/EN}

 

Banquete Público do Festival de Inverno da UFMG com Associação das Mulheres Reais

{Julho 2012, Diamantina/MG}

 

Banquete de inauguração da Sede da Miguilim Assessoria Cultural 

{2010, Edifício Maletta, Belo Horizonte/MG}

 

Banquete de Casamento: "Você Come e eu também"

{2010, Belo Horizonte/MG}

 

Banquete Público: "Deixe as Claras e Separe as Gemas"

{2010, Belo Horizonte/MG}

 

Festival de Culinária: Igarapé Bem Temperado

{2008/2009, Igarapé/MG}

 

Festival das Montanhas 

{2008/2009, Itambé do Mato Dentro/MG, tradição da banana do Distrito Cabeça de Boi}

 

Banquete: "Cheira para ver se é pêra" de inauguração do JACA - Centro Cultural Jardim Canadá

{2009, Belo Horizonte/MG} 

" O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta, daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem". Guimarães Rosa

 

"Banquetear" é por si só um ato de coragem, e dele que aprendo a me colocar e dizer as muitas  histórias que estou aprendendo com as andanças pelo mundo...

 

A ideia de Banquete sempre que me vem à mente é de que todos podem comer, saborear, se divertir, atravessar paladares, ficar alegre, com as experiências oferecidas pela descoberta de novos paladares, ou mesmo às lembranças que nas receitas estão depositadas.  

 

 

Sempre estive atenta ao paladar,  preocupada com o que se come, e por que estou comendo, cuidar do paladar é cuidar da vida, experimentar é a tentativa para que não se esqueça de quem somos e porque existimos...

 

É deixar de fato os alimentos falarem pela voz de cada um que come, Banquete tem esta compreensão para mim. Deixo os alimentos falarem pela boca do outro, nunca quis fazer um banquete que fosse mais ou menos, sempre quis para ele a entrega, por isso faço banquetes... Acredito que os pratos falam por si, falam dos seus lugares e de suas experimentações culturais... 

 

Banquete é a forma mais singela de oferecer amor para alguém pelo paladar, pela palavra e pela troca. Crianças, jovens, adultos e velhos participam deste banquete deste ato de comer sem restrição, e se o desejo for lamber o prato, eis ai um banquete para que se lamba o prato e se coma com as mãos.